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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Exegese do Livro do Apocalipse



O Apocalipse ( palavra grega que significa revelação) é obra do apóstolo João, que o escrevera no fim de sua vida, mais ou menos no ano 100, sob a forma de uma carta dirigida às Igrejas da Ásia menor.



Esse livro é considerado pela maioria dos leitores como o mais difícil de compreender e o mais misterioso de toda a Biblia. Ele é, com efeito, bastante enigmático, mas sua interpretação pode tornar-se mais clara, se se levar em conta, de um lado, o gênero literário utilizado pelo autor e, de outro, a circunstância em que a obra foi escrita.



A situação dos cristãos da Ásia era, naquela época, das mais críticas. As perseguições já tinham começado. Por outro lado, muitos cristãos , que esperavam uma próxima libertação pelo retorno glorioso de Cristo, verificavam com tristeza que esse retorno demorava e que seu termo era quase indefinidamente adiado. Tomados de angústia, começavam a perder a esperança de encontrar um dia a independência religiosa.



O Apóstolo João, fazendo de seu livro uma mensagem de reconforto e de encorajamento, e ao mesmo tempo um manifesto contra o paganismo reinante, quer anunciar aos seus leitores a inevitável oposição do mal e do bem sobre a terra, e predizer a vitória de Deus, decisiva e certa, embora realizada no sofrimento e na morte. Para esse fim, ele lança mão de um recurso literário muito usado entre os judeus desde há dois séculos aproximadamente, do qual se pode ver um exemplo no livro de Daniel. Esse gênero literário foi chamado de gênero apocalíptico, porque apresenta aos olhos o leitor uma série de visões, ou revelações muito simbólicas, tendo um sentido oculto. Não se trata de dar uma descrição antecipada de acontecimentos fururos, mas de apresentar uma mesma realidade sob vários símbolos diferentes. Essas visões se supõem outorgadas a um personagem que, dessa maneira recebe comunicação das intenções divinas sobre os destinos do mundo. Tudo isso é feito numa linguagem intencionalmente figurada e misteriosa, para provocar um atenção mais viva no leitor.



Sua leitura pode ficar menos desconcertante, se desde o começo for indicado o simbolismo de vários dessas imagens empregadas, por exemplo:



O Cordeiro smboliza o Cristo; a mulher, a Igreja Cristã; o dragão, as forças hostis ao Reino de Deus; as duas feras (cap. 13), o império romano e o culto imperial; a fera (cap.17) simboliza Nero; Babilônia, a Roma pagã; as vestes brancas, a vitória; o número 3 1/2, coisa nefasta ou caduca.



Entretanto, esses símbolos não são exclusivos: o Cristo é as vezes mostrado como o "Filho do homem" ou um "cavaleiro".



O Apocalipse não deve ser portanto ser tomado como uma história comtemporânea escrita no "tempo futuro" (verbo); ele não é tampouco uma revelação clara e definitiva do futuro: é uma mensagem sobrenatural (velada em símbolos, representando tanto o passado , como o presente e o futuro), concernente a um período indefinido que separa a ascenção de Jesus de sua volta gloriosa. Ele anuncia aos fiéis a impossibilidade de escapar à luta e ao sofrimento, às perseguições e ao fracasso aparente no plano terrestre, à realidade da salvação que lhe será concedida no meio de suas obrigações, e à vitória final, obra de Cristo ressucitado que venceu a morte.

Um comentário:

Geizilaine disse...

A primeira vez que li o livro do Apocalipse fiquei com tanto medo. Me sentindo atordoada com o futuro. Nada melhor do que conhecimento não é mesmo. Com o tempo aprendi que existe todo um significado.