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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O privilégio do homem brasileiro

Minha professora do tempo do Ensino Médio, um dia se referiu à Carlos Drummond de Andrade, dizendo que ele considerava a cor preta inaceitável para os brasileiros porque vivemos num país tropical e que essa cor pertence aos europeus...


A cor preta é dos europeus mas o carnaval é nosso... Sim porque no carnaval é garantido ver uma multidão inumerável burburinhando entre clangores dos blocos, passando préstitos apoteótipos.

O preto é dos europeus porque o preto combina bem com o terno; o terno por sua vez, combina bem com a seriedade e com o progresso...

O nosso terno é camisa de bloco, bermuda e chinelo de dedo, ou uma fantasia irreverente e a nossa soberania se consiste em alegorias ingênuas ao gosto popular, em cores cruas. E "ai" da organização se for pobre, hein! "Pobre gosta é de luxo" já dizia Joãozinho Trinta.

O preto está na elegância e no privilégio dos europeus, no terno que não tem gravata afrouxada por causa do calor. Mas nós brasileiros, contemplamos o inegociável privilégio de ver a cor preta dos europeus na mais íntima das peças de roupa das brasileiras. Esse privilégio que é só nosso, provoca ansiedade nos europeus, pois quando essa peça, tomada de curvas que nem Oscar Niemeyer consegue copiar aparece em nosso campo de visão, ninguém duvida que Deus é brasileiro.

Aliás, aposto o meu computador com o seu que foi por causa disso que Cesare Battisti, pediu refúgio político no Brasil...

Um comentário:

Weliton Santos disse...

Não se espantem com a citação da peça íntima feminina. Fiz isso intencionalmente para mostrar que não sou nem um santo, apesar de me esforçar para me aproximar a esse status.