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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O grande engano da Teologia da Prosperidade



Atenção fiéis da IURD e fiéis das demais igrejas evangélicas protestantes: o que segue abaixo é um alerta, pensando no próprio bem de vocês. Aos Católicos: leiam com muita atenção para não caírem nessa armadilha.
Fonte: www.cleofas.com.br
 

Jesus nunca ensinou que o Evangelho pudesse ser uma fonte de enriquecimento ou um meio de se levar uma vida “regalada”, “em nome de Deus”; ao contrário, o Senhor ofereceu a renúncia e a cruz àqueles que o seguirem: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz a cada dia e me siga. Porque, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim salvá-la-á” (Lc 9,23-24).
 

Jesus fala de sacrifico, renúncia, perder a própria vida; e diz que se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, não pode dar fruto (cf. Jo 12, 24). Isto está longe de ser um ensinamento de enriquecimento porque se faz a vontade de Deus. Ele não é contra a riqueza justa, e sabiamente usada para o bem de si mesmo e dos outros, mas isto está longe de justificar a teologia da prosperidade.
 

No entanto o adeptos dessa teologia, baseiam-se no Antigo Testamento para dizer que os homens de Deus foram ricos como Salomão, e que Jesus prometeu que veio para que tenhamos “vida em abundância”. (Jo 10,10)
 

Segundo a Teologia da Prosperidade, Deus concede riqueza e bens materiais a quem Lhe é fiel e paga o dizimo com generosidade; mas esta concepção está mal fundamentada. Todos os católicos devem dar a sua contribuição material à Igreja para que ela possa prover suas necessidades materiais; isto é ensinado pelo Catecismo: §2043 – “Os fiéis cristãos têm ainda a obrigação de atender, cada um segundo as suas capacidades, às necessidades materiais da Igreja. O quinto mandamento [da Igreja] (“Ajudar a Igreja em suas necessidades”) recorda aos fiéis que devem ir ao encontro da necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades (CDC, cân. 222)”. 

Nem o Catecismo e nem outro documento da Igreja obriga que o dízimo seja 10% do salário, embora muitos adotem isto na prática, o que é bonito. Mas o dizimo não pode ser uma troca com Deus; deve ser uma doação generosa de quem ama a Deus gratuitamente e desinteressadamente.
 

Na mentalidade do AT, quando não se tinha uma noção clara da vida eterna, os antigos judeus julgavam que a recompensa de Deus para os bons seria neste mundo mesmo; mas esta mentalidade foi mudando, como se pode ver no livro de Jó, Eclesiastes, Daniel, etc. A certeza da vida eterna e de uma recompensa muito melhor foi finalmente trazida por Jesus: “Dirá o rei aos que estiveram a sua direita: Vinde, benditos do meu Pai, recebei por herança o reino preparado para vós desde a fundação do mundo”.(Mt 25, 26).
 

E São Paulo completa: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem jamais percebeu, eis o que Deus preparou para aqueles que O amam” (1Cor 2,9).
 

Jesus não propôs riqueza nem prosperidade aos seus seguidores. Prometeu sim, vida, e vida em abundancia, mas não é a vida mortal, sempre ameaçada, que o homem conhece na terra, mas a vida imortal em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A “Carta aos Hebreus” ensina que Deus nos corrige para o nosso bem: “É para a vossa educação que sofreis: Deus vos trata como filhos. Qual é, com efeito, o filho cujo pai não educa? Se sois privados da educação da qual todos participam, então sois bastardos e não filhos”. (Hb 12, 7s) Dessas palavras pode-se ver que é falso dizer que Deus paga em dinheiro e bens materiais a quem Lhe é fiel.
 

São Paulo mostra os riscos do enriquecimento para quem não sabe se contentar com o que tem; isto, o "avarento:“A piedade é de fato grande fonte de lucro, mas para quem sabe se contentar. Pois nada trouxemos para o mundo, nem coisa alguma dele poderemos levar. Se, pois, temos alimento e vestuário, contentemo-nos com isso. Ora, os que querem se enriquecer caem em tentação e cilada, e em muitos desejos insensatos e perniciosos, que mergulham os homens na ruína e na perdição. Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro, por cujo desenfreado desejo alguns se afastaram da fé, e a si mesmos se afligem com múltiplos tormentos”. (1Tm 6,5-10)
 

E Jesus deu-nos uma lição importante quando do encontro com aquele jovem rico, que perdeu a coragem de seguir Jesus por causa do dinheiro: “Jesus lhe respondeu: Se quiseres ser perfeito, vai vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me. O moço, ouvindo essa palavra, saiu pesaroso pois era possuidor de muitos bens. Então Jesus disse aos seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E vos digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus. Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram muito espantados e disseram: Quem poderá então salvar-se? Jesus fitando-os, disse: Ao homem isso é impossível, mas a Deus tudo é possível”. (Mt 19,21-26).
 

O Brasil tomou conhecimento do triste caso do casal de “bispos” da igreja Renascer. Um juiz brasileiro, da 1ª Vara Criminal de São Paulo, Paulo Antonio Rossi, decretou a prisão deles, em 11 jan 07 (Folha de SP), depois de terem sido presos nos EUA pelo FBI. O casal foi detido no aeroporto de Miami, na Flórida, em, 09 jan 07, pelo FBI, ao tentar entrar no país com US$ 56 mil não-declarados (mais de R$ 120 mil) em dinheiro vivo, que estava dentro de uma Bíblia, em um porta-CD e nas malas. No despacho, os promotores acusam Estevam e Sônia de continuar a praticar lavagem de dinheiro, dessa vez em solo norte-americano -eles já respondem a esse mesmo tipo de crime na capital paulista.

Esses fatos confirmam os argumentos evangélicos apresentados de que a teologia da prosperidade é uma farsa perigosa que tem enganado a muitos. Pessoas bem intencionadas, às vezes desesperadas com os seus problemas, dão o que têm, e às vezes o que não têm a essas “igrejas”, e depois ficam muitas vezes em pior situação ainda. Não é esta a vontade Deus; Jesus alertou: “cuidado com os falsos profetas... pelos seus frutos os conhecereis”. (Mt 7,15-16)

Um comentário:

Blog Partilhando disse...

Gostei muito deste texto!
Realmente é isto mesmo!
A recompensa está na vida eterna,
e não na vida mortal neste mundo.